Claustrofobia

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Era pra ser uma simples ressonância magnética da coluna. Cheguei lá naquela sala fria, estava com aquela roupinha apropriada ridícula, vi aquele aparelho gigante e moderno cheio de ruídos estranhos, parecia até uma coisa aeroespacial, deitei na cama e a mulher começou a me amarrar. Desconfiei que estava com problemas desde que senti ódio daquela mulher me amarrando. A cada fita que ela passava, piorava tudo e eu sentia vontade de me debater inteira. Ela disse: “preciso imobilizar você para a imagem ficar boa, você não pode se mexer nem um bocadinho” enquanto prendia meu queixo, jogava uma tábua de ferro de meia tonelada no meio peito e colocava uma máscara de plástico gigantesca que me deixava igual ao Ariete, personagem do He-Man.

Em fração de segundos aconteceram coisas horrorosas. É como se uma gola de blusa começasse a me sufocar. Eu sentia uma bola nascendo na minha garganta, comecei a me agoniar. Minha boca ficou seca. Meu coração disparou. Fiquei tonta. Queria vomitar. Eu tava completamente presa, estilo múmia, e me debati inteira dentro da máquina gritando desesperada pra me tirarem dali destruindo a bombinha de alarme que me deram. Eu sentia o teto do tubo descendo em mim e me esmagando. Foi inevitável, o choro veio junto com o pânico e quando me dei conta estava agarrada naquela mulher implorando pra não entrar naquela tortura.

Ela disse: “calma, não chora… vamos fazer a do joelho, que também está na sua requisição, depois tentamos de novo”. Para fazer a ressonância do joelho eu entrei ao contrário na máquina, mas também não foi tão fácil assim. O corpo entrava até a altura dos seios o que me deixava insegura e transtornada de imaginar que de repente aquilo poderia entrar inteiro novamente, o pânico me fazia imaginar um pique de luz, e eu presa naquele tubo pra sempre. Tentei me concentrar. Pensava “quê quê isso, que ridículo, sou uma mulher de 32 anos, já passei por tanta coisa na vida, vou ter medo de um tubo, quê quê isso…” e ficava tentando me confortar. Eu lia e relia por 30 minutos SIEMENS que era  a marca do aparelho. Não conseguia mais nada a não ser rezar pra que aquilo acabasse logo. E eu já estava me desesperando novamente porque depois eu ia tentar outra vez fazer o exame da coluna.

Terminado o exame do joelho, lá vem a maldita mulher me arrumar novamente com o traje de RoboCop de mesa. Coitada, depositei meu ódio do tubo todo nela. Eu tava muito puta. Com ódio. Como assim eu ia perder pra máquina. Quer dizer, eu espero dias pra ir no Ortopedista. Pego a requisição. Vou pra fila de autorização da ressonância. Outro trâmite. Procuro um laboratório de imagem, mais fila pra marcar a data do exame. Na data marcada, outra fila, chá de cadeira pra entrar na porra do tubo e na beira do precipício eu me cago depois de toooooda a logística pau no cu… NINGUÉM MERECE! BORA! “Dessa vez eu consigo!” eu disse mega determinada pra mulher… 1, 2, 3x… de tanto entrar em sair eu já parecia um pirocão fazendo sexo com a máquina. Até que eu me rendi chorando: “não quero mais, desisto, vou procurar um anestesista e volto, só vou conseguir essa porra dopada!”.

E foi nesse dia que eu perdi feio pra máquina de ressonância e me descobri claustrofóbica. Nada a ver.

Publicado em 29/10/2015, em Desabafos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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