Eu não acredito em casamentos

Jive Bunny - Front

Este LP do Jive Bunny, é o meu o favorito de todas as coletâneas que eu conheço. Não é só pelo conteúdo, que é maravilhoso, mas também pela recordação que ele guarda pra mim. Era 1990, eu tinha 7 anos e esse LP é a última memória forte que tenho dos meus pais casados. Saímos para o comércio, num sábado de compras daqueles em que voltávamos cheios de sacolas. Eu adorava esses dias. Nas sacolas era uma mistura de travesseiro novo, caixa de chocolates, roupas, brinquedos e bugigangas diversas. No caminho para pegar um taxi paramos numa loja de discos que ficava na Praça das Mercês, não lembro se Aky-Disco, Avistão ou Tok-Disco, uma dessas… cada um de nós ganhou um LP, o da mamãe foi o Forrobodó, o meu Xuxa 5 e o do papai este do Jive Bunny . Pegamos um taxi na Avenida 16 de Novembro, eu lembro bem das palmeiras e de ir no caminho de casa doida pra ouvir as músicas novas, parece que foi ontem. Ouvir os LP’s novos arrumando as compras de coisas novas… coisas de sábado… E esse foi o último programa que lembro de ter feito com meus pais ainda casados…

Não acho que tenham ficado traumas, dramas ou resquícios de algum tormento em mim, por conta de divórcio. Não acho que eu tenha guardado mágoas, depressões, tristezas que refletissem na minha infância de alguma forma. Acho que meus familiares souberam lidar comigo de uma forma tranquila, meu rendimento escolar não mudou, minha saúde continuava de ferro e, ao mesmo tempo, eu estava super concentrada em ser uma criança feliz, passava o dia na brincadeira, tenho certeza que nem deu tempo de rolar a neura. Meus coleguinhas perguntavam “cadê teu pai?” e eu dizia numa boa: “tá lá com a vovó!”. E a partir daí comecei a ganhar tudo em dobro, talvez pra suprir qualquer carência que fosse… aniversários em dobro, presentes em dobro, Natal em dobro, cuidados em dobro… todos os mimos materiais e físicos em dobro… bom, se eu tinha 7, meus pais deveriam ter 23 e 25 respectivamente… quem manja das coisas nessa idade? Então eu pegava Meu 1º Gradiente e passava o dia cantando querendo ser Pop Star… totalmente alienada de tudo…

Apesar da minha alienação, uma coisa ficou guardada no meu subconsciente: a partir dali eu nunca mais ia acreditar em casamento. Não foi exatamente um trauma, não acho que tenha sido… mas acho sim que foi uma lição de vida. Casamento pra mim virou teoria, e em todos os exemplos ao meu redor eu percebia a submissão de um dos lados, ou do homem, ou da mulher… e um dos lados, sempre o mais fraco, não conseguia independência ou emancipação para ser feliz.

Cresci reparando nos casais. Os da minha família, os das famílias dos meus amigos, das novelas, dos vizinhos, dos desconhecidos… e eu não conhecia nenhum casamento bem sucedido. Sempre tinha uma história bizarra por detrás daquela família feliz reunida no parque num dia ensolarado de Domingo… todos sorrindo enquanto o cara metia o chifre na mulher diariamente com a secretária… Ou a mulher que pegava o vizinho, marido da amicíssima dela… ou o cara tinha uma família em paralelo… ou levou doença pra casa que pegou da amante na rua… ou a mulher flertava no trabalho, ou “ela não deixa ele porque sempre foi dona de casa, não tem profissão e vai ficar na miséria…” , ou “ele não larga ela porque é um vagabundo, nunca quis trabalhar enquanto ela se acaba pra sustentar as regalias dele” ou “eles não se deixam por causa dos filhos”… e os dois levavam uma vida a 2 em teoria… simplesmente para estabelecer o esteriótipo de família feliz de propaganda de margarina… só pra deixar a sociedade, aparentemente, recompensada.

Enquanto a mulher tá feliz da vida postando fotos a 2 de momentos in family no Facebook pra se envaidecer diante das amigas solteironas, a amante só dá risada de longe… vai encontrar o maridão padrão da amiga mais tarde e oferecer à ele estripulias diversas que ele não encontra em casa… já reparou que nem sempre o maridão tá no face? Ele diz coisas do tipo “acho isso a maior babaquice…”, claro, o cara vai se queimar mostrando compromisso publicamente? Lógico que não…

Não estou dizendo que não acredito no amor, estou dizendo que não acredito em casamento. Recentemente eu ouvi “mas Dani, não existe casamente feliz…”  e eu perguntei: “então por que casou?”. Será que não bastaria ser feliz enquanto havia amor?

Hoje estou com 30 anos e algumas das minhas amigas, na mesma faixa etária, estão começando a entrar em parafuso. As que não casaram estão desesperadas procurando pretendentes “tenho que casar, tenho que casar!” e as que casaram “tenho que ter filho! tenho que ter filho!”, e as que casaram e tiveram filhos “tenho que ser feliz! tenho que ser feliz!”, minha nossa, quanto desespero! Pode até ser um pouco de amargura da minha parte, mas péralá! Se desesperar porque existe uma idade prazo que a sociedade cobra um padrão de vida? Me poupe… cada um deveria criar sua história de acordo com o rumo que ela vai tomando… não? Ou é melhor uma prisão domiciliar refém de submissões, comodismos e padrões de sociedade pré estabelecidos sabe-se lá por quem?

Conheço pessoas que acham que casando automaticamente se tornarão as pessoas mais felizes do mundo… Cara, que doidice… É tipo achar que todo mundo combina com óculos aviador… pra alguns isso é simplesmente ridículo.

Sabe o que me faz reforçar a ideia de que casamento é idiotice? É o quanto as pessoas (casadas) se incomodam com a minha liberdade… já ouvi coisas do tipo “tá de boa né, também tu não tens um pinto pra alimentar” ou “não vai casar não? vai morrer só heim…” ou “quando vais dar um jeito na tua vida? estás precisando logo ter teu filho…” hahahah, minha Nossa Senhora! Me deixem em paz, não sou refém de padrões, não acredito em casamentos, pra mim é tudo fachada de felicidade! Tem casais que usam, inclusive, filhos como fachada de felicidade! Deusmilivri!

Prefiro ver o filme do Pelé…

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Publicado em 17/10/2013, em Comportamento, Desabafos, Recordações. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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