MSN

MSN: são três letrinhas de uma sigla, como em SOS. E, para alguns, age da mesma forma, em busca de socorro. É que esta ferramenta modernosa e multimídia é refúgio virtual para a liberdade de expressão, geração de renda, elaboração de planos malignos, acerto de contas, saudações, lavagem de roupa suja, reflexão sobre os mistérios do universo, desabafos incansáveis… e, principalmente, “jogaforismo” infinito de papo furado.

O MSN pra mim funciona de várias formas. É lá que eu posso estar em contato com pessoas que estão longe de mim, longe da minha rotina, da minha cidade, das minhas novidades, é fonte de amigos. É lá que eu posso estar em contato profissional com clientes que realizam todo o trâmite virtualmente, da encomenda ao pagamento, tudo, às vezes, até mesmo, sem encontrar pessoalmente, é fonte de renda. Lá eu posso aprender novas coisas, receber dicas, trocar idéias… é fonte de conhecimento. Posso desabafar, reclamar, elogiar, rir, gritar, brigar, explodir, discutir… é fonte de apoio psicológico. É fonte de várias coisas. Tem gente que não gosta que eu acesse. Tem gente que gosta. Tem gente que não gosta de conversar lá comigo. Tem gente que gosta. Tem gente que me bloqueia, mas tem gente que me adiciona. Tem gente que espelha suas características em mim achando que eu vou usar o MSN para fazer as mesmas coisas que já fizeram… essa gente não me conhece.

Às vezes entramos no MSN e encontramos alguém que há tempos não falamos, achamos que dali renderá um ótimo papo porque neste dia, justamente neste dia, você acordou super inspirado pra esmurrar feito doido o teclado de tão falante… ou melhor… teclante, que está. E cumprimenta: “Ooooooi, há quanto tempo! Como está? Tudo bem? Quais as novas?!” 5 minutos depois, uma resposta: “e aí” , inclusive sem o “?” que é pra dar a entender direitinho que a pessoa tem, realmente, mais o que fazer e que aquilo ali é o melhor que ela pode oferecer em termos de bate-papo… ainda que naquele dia. Essa sensação, geralmente tem as pessoas que não entendem que o MSN também é usado como contato profissional para papos sérios e sem lero-lero – isso geralmente acontece quando conecta-se do emprego.

É preciso ter em mente que MSN usado em ambiente de trabalho é totalmente diferente do usado em casa. Todos que têm mania de perseguição acham que, de alguma forma, tudo está sendo registrado no servidor, daí conversam sendo alguém que gostariam de ser… cheio de educação, filosófico, sem palavrões, todo intelectual, sem obscenidades, a conversa é praticamente sacrossanta e os assuntos giram em torno de discussões sobre a política mundial e de como ajudar a salvar o planeta.

É preciso identificar estas pessoas que estão no trabalho e pouco podem teclar mas muito querem saber. É bem fácil, elas geralmente estão com aquele status “ocupado”, aquele bonequinho é sinônimo de: “eu to realmente ocupado, não posso ficar conversando muito, mas passa a fofoca porque eu não agüento esperar pra saber”. Têm ainda aqueles que colocam o status de ausente propositalmente para despistar os chatos, sim eles fazem isso pra driblar de alguma forma algumas pessoas que não tem coragem de excluir da lista porque pra alguma coisa elas servem (emprestar dinheiro, ensinar alguma coisa, etc). Mas chato que é chato vai lá, e mesmo vendo o seu status ausente ele pergunta: “tá aí?”

Ainda tem os foras discretos. Entramos no MSN e de repente percebemos que aquelas pessoas que estavam On Line enquanto você estava Off Line (só bisbilhotando tudo anonimamente) de repente mudarem seu status pra Off, só porque você resolveu mudar o seu pra On. Esse é o atestado de que você é realmente chato, não se discute. É pior do que ser bloqueado, porque o bloqueio você não vê acontecer, mas o fora discreto, você viu, é uma sensação de amargura e solidão.

Ainda tem aquelas que ficam escrevendo frases soltas naquele espaço abaixo do nick e você, maluco e com mania de perseguição como é, jura que aquele recado quer dizer alguma coisa, dar a entender algum recado, algo que você tenta desvendar o dia inteiro. Jura que é com você. Não se aquieta até chegar lá e mostrar que é chato de raiz perguntando: “essa frase tem alguma a ver comigo?”

Pior de tudo é gostar de toda essa neurose perturbada de psicose virtual.

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Publicado em 01/02/2009, em Desabafos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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