Ouça

Semana passada a Globo exibiu o último capítulo de Maysa – Quando fala o coração. Eu acompanhei toda a série e gostei muito. Aproveitei para conhecer este nome da música brasileira que estava fora do meu hall de conhecimento. Aliás, tudo que eu conhecia da série eram O Barquinho e Hino ao Amor, mas nem imaginava o que se passava por detrás destas canções. Era tão anta que quando via a foto da Maysa ainda raciocinava para não confundir com Ângela Rôrô, santa ignorância. Aliás, nos últimos tempos uma transformação aconteceu, algo que eu até me envergonho de confessar.

Depois que meu avô mudou o som do carro dele, fui obrigada a preparar seleções de Mp3 para ele curtir, como eu, todos os 700mb de música selecionada. E foram cd’s e mais cd’s. Muitas músicas para o vovô. Músicas que lembravam as vezes que ele ia me deixar na escola, aos 7 anos. Músicas que lembravam minha avó, ela que quando estava viva escutava nas alturas aquelas melodias que me acordavam querendo destruir o som da sala, e hoje, me fazem sentir remorso por isso. Sim, porque hoje, eu escuto uma época que eu gostaria de voltar. Eu precisei chegar aos 25, ou melhor, quase 26 anos, para perceber que não existe “música de velho”… que vergonha.

Só agora é que a barreira do preconceito caiu e eu consigo apreciar, conhecer, descobrir tudo que estava na minha frente e eu ignorava. Tudo que a minha mãe e meu avô ouvem, tudo que estava estampado do mais refinado bom-gosto e eu simplesmente torcia o bico por parecer coisa retro, coisa antiquada, coisa de gente chata. Que idiotice!

Tudo bem, confesso que me permitia ouvir certas coisas durante a adolescência, lógico, eu queria ser antenada, queria dizer que conhecia tudo sobre Bossa Nova, sobre Tropicalismo, queria decorar os mais-mais sambinhas que aí não ficava de fora das rodas de samba de raíz. Queria decorar as mais-mais da MPB, que aí não fazia feio nas noite de Luau. Mas o que eu queria mesmo era ficar escutando Antena 1 com as musiquinhas de motel da programação ou Jovem Pan/Transamérica e os hits parades do momento. Ou seja, eu queria conhecer a velha guarda, mas não significava que eu gostava dela.

Hoje me pego montando uma seleção para o vovô ou para a mamãe e fazendo uma cópia pra mim. Músicas que além de conhecer, acabei gostando. E isso é novidade. Não falo (somente) de Beatles, Roberto Carlos, Beach Boys, Frank Sinatra, nem de nada do tipo ícone popular, porque disso eu sempre gostei, isso é muito fácil de gostar. Falo de tudo.  Hoje me pego escutando The Platters sem o preconceito de achar que tudo que eles cantavam era Only You. Me pego empolgada escutando Tango pra Teresa de Ângela Maria no carro, sem me importar com o que o carro do lado vai achar. Parece simples, né? Parece tarde pra que isso aconteça, né? Parece coisa de gente tosca, né?

Confesso que o principal motivo desta vitória sobre mim mesma foi um hobby que venho desenvolvendo há quase dois anos… venho colecionando trilhas sonoras de novelas e minisséries de todas as emissoras brasileiras. Isso me serviu para conhecer muita coisa sobre vários tempos da música popular.  A 1ª trilha que tenho é de 1952 e a última a trilha sonora da série de Maysa. Já são mais de 650 títulos, os 35Gb mais preciosos do meu HD.

Este post é para deixar esta dica tão verdadeira e tão piegas: não julgue antes de conhecer.

Publicado em 18/01/2009, em Música. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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