E eu?

blah-blah-blah

Eu conheço bem aquela necessidade que a criatura, em sua grande parte, tem de ser melhor que as demais. Bom, a minha afirmação, está baseada em uma experiência, digamos, relativa, ou mesmo, primária e até idiota, mas, cada dia que passa eu percebo que os meus apontamentos estavam corretos.
A pesquisa, de cunho observatório, já me levou a perceber a inquietude animal no reino em si, bicho se comendo pela rua em busca de território… nenhuma novidade, mas, para irracionais até que fica bem mais elegante uma mijadinha no poste do que o famoso “E eu?” dos ditos “racionais”. Pois é. Daí eu comecei a reparar nos bate-papos, nas pessoas, nos meus colegas, pessoas que me rodeavam…
Ele é famoso, ele é dito sempre: “E eu?” é quase insconsciente. Eu comecei a anotar,eu comecei a contar quantas vezes qualquer pessoa dizia “E eu que…?”. Pois é, fui percebendo que quanto mais as pessoas diziam ” E eu que…?” mais elas me irritavam…
Que diabo de povo que quer sempre ser melhor/pior do que todo mundo meu Deus? Quê que foi, quê que foi, quê que há! Será possível que a minha história nunca vai ser a mais engraçada/trágica/alegre/impressionante ou a mais comum que seja! Não, não dá, sempre tem um indíviduo com um problema maior, uma doença mais grave, uma piada mais bacana… esse “E eu?” sempre é mais sofredor, mais gente boa, mais fodão… que merda!
Hoje eu ia trabalhar, vi um cachorro tadinho, sem uma pata e cego. (Fim, FIM! Aquele ponto lá poderia ser final! Mas não, lá vem ele…) E eu que já vi um cachorro sem as duas patas dianteiras e com três traseiras, dois rabos, cego, surdo, mudo, hermafrodita e de boné?! Pronto, “E eu?” ganhou mais uma vez, sempre o melhor, ele é o máximo, E eu: I’m the best fuck the rest…
Pior é que tem gente que nem disfarça, é na bucha mesmo:
– Puxa, fui assaltado…
– E eu? Que fui assaltado e atropelado uma vez e bláblábláblá… (30min de discurso).
Saco! Ainda tem gente que tenta controlar…
– Puxa, fui assaltado…
– (Primeiro comenta algo, consolando) Puxa, que pena, é muito triste a violência da cidade (sempre tem crítica ao sistema). Mas olha, uma vez eu (E EU?!) estava saindo de casa e… bláblábláblá… (30min de discurso).
Aff! Ô povo que não deixa os outros reclamar em paz de vez em quando… saco! Eu fico de saco cheio desse pessoal que não sabe conversar sem se comaparar todas as horas… que diabo, existem coisas que são incomparáveis, dá licença que o “e eu?” tem que ficar calado de vez em quando?! ô pessoalzim… voticontá… “E eu?” consciente na cabeça galera!

Publicado em 30/04/2007, em Comportamento. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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