Cristal

Quando eu era criança, eu tinha um amiguinho chamado Victor. Ele é irmão da Suhellen, uma grande amiga que o tempo acabou afastando. Por por lá pelo condomínio, o boato era que ele conseguia quebrar uma taça de Cristal com um grito. Era um gritinho fino, eu achava aquilo o máximo e comecei a tentar a fazer o mesmo. Certo dia ele saiu, e esse gritinho é tudo de bom em shows por aí.
Lembro de uma tarde chuvosa, como essas de agora, eu sentada num banco de uma das pracinhas de lá com uma tacinha que tinha pegado emprestado de casa, peguei só pra quebrar. Tinha jurado pra mim mesma que se eu conseguisse quebrar aquela taça com um grito eu juntaria dinheiro até comprar um conjunto novo para a vovó, já estava preparada com as miçangas p/ fazer dezenas de colares. Só tinha um detalhe, as tentativas incomodavam os viznhos. Sempre apareciam caras feias p/ mim. Eu tinha então que me isolar p/ conseguir quebrar aquele Cristal.
Minha bicicleta era o meu refúgio, ia com ela para onde eu queria, nos limites, lógico, de uma criança de 11 anos. E fui pra bem longe, láááá além do conjunto, além do campinho de futebol, além da feira, já estava na beira de uma nascida de igarapé, ali dava. Eu tirei cuidadosamente o embrulho da mochila, desenrolei os paninhos, apoiei a taça num toco de árvore e comecei a tentar novamente. Foi assim no primeiro dia, foi assim no segundo, no terceiro… eu já queria desistir. Lá pelo 6º dia, eu resolvi tentar gritar um pouco mais de longe. Estava gritando em cima da taça, tentei fazer distante. E aí… um trinco. Um trinco!!! Um trinco foi suficiente, pronto, eu conseguia rachar a taça, eu me sentia o máximo.
Cheguei no condomínio e contei à todos. Ninguém acreditava em mim. Achavam que eu tinha trincado a taça de outra forma, eu me isolei com minha taça rachada e fui curtir minha realização sozinha. Aquele Cristal, algo tão singelo e precioso não servia pra provar nada, bastava o que eu sabia, era suficiente para me engrandecer. Minutos depois eu esqueci da taça e fui tentar atravessar uma porta velha e abandonada com uma bolinha de golfe, era a moda mais recente lá com a galera, so os campeões conseguiam, tinha que ter muita força no braço.
Hoje eu lembrei dessa tacinha de Cristal. Queria ter uma bola de Cristal na época para saber que esse feito não ia me acrescentar em nada na vida. Mas, uma coisa de Cristal além da Lua de Cristal, me deixa feliz… o vidro. É, um vidro, eu adoro vidros. Eles simplesmente deixam passar a realidade através dele. Eles são transparentes, translúcidos, verdadeiros… mas apesar de frágeis eu acho que só é preciso ter cuidado com aqueles vidros especiais, eles distorcem tudo, é horrível… não dá pra acreditar neles.
O Centro de Convenções tá ficando lindo cheio de vidros.
Hoje, sem desafios maiores eu me pego fazendo bola de chiclete com o nariz. Mais uma pro meu hall de Capacidades Inúteis, além do Cristal.
 treeFaltam 06 dias para o Natal !!!
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Publicado em 19/12/2006, em Comportamento. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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