O que é o amor?

Muitos autores já tentaram discorrer sobre o amor. Famosos ou anônimos, em best sellers ou blogs, traçando paralelos vividos ou imaginados… todos querem chegar à uma conclusão: afinal de contas, o que é o amor?

Eu na minha humilde vivência já tentei escrever muitas vezes sobre isso. Já escrevi sobre decepções, sobre meu primeiro amor, traição, ciúmes, permissividade, amizade, família, consideração, emoção, excitação. Já tentei de várias formas entender nos desabafos mais profundos o que é este sentimento tão amplo e reduzido ao mesmo tempo. Desabafos estes publicados aqui e estampados na minha cara quando o assunto vira e mexe é discutido.

Se me perguntassem há 15 anos atrás eu responderia que já conhecia o amor de perto. Com 8 anos achava que já tinha experiência suficiente para entende-lo. A ingenuidade e a pureza do amor de uma criança têm sua nobreza. Talvez expressas de maneira errônea, talvez um tanto exagerada… tudo parece prova… uma cartinha mal escrita por aquele coleguinha num papel de caderno; um papel de menta com dizeres piegas;  um cartão de porta de colégio com desenhos toscos de Mickey e Minnie; um mini-cartão daqueles da coleção do Garfield com uma simples assinatura; o primeiro ursinho de pelúcia ou o primeiro namorico no cinema. Quanta inocência.

Ter memória de elefante é minha benção e minha maldição. Diários, caixas de recordações, músicas, panfletos, fotografias, cd’s, cartões, cartinhas ou um simples registro fazem do meu passado memórias eternizáveis. Na minha cabeça o último beijo que dei está tão vivo quando o primeiro.  Eu juro que não escolhi ser assim. Já me disseram que a memória precisa ser exercitada para que as lembranças sejam preservadas, deve ter sido isso, exercício de memória, parece brincadeira, mas fui criada em meio a jogos e atividades que intensificavam este exercício, devem ter provocado alguma influência.
Uma faxina na vida e eu jogo fora tudo que não presta. Me livro de coisas que deixam ainda mais vivas minhas recordações. Jogo no lixo e queimo, rasgo tudo aquilo que possa remeter a coisas que já não precisam ser lembradas. Releio coisas que escrevi e que me escreveram, olho para o fundo do meu peito e cara a cara com o meu coração eu volto ao ponto de partida e me pergunto: mas o que é o amor?
Achava que amor era o que o Dênis, meu primeiro namorado, sentia por mim. As cartinhas escritas e escondidas há sete chaves me faziam acreditar que ele seria o meu marido, e isto aos 8 anos, de mãos dadas indo jogar ping-pong. Achava que amor era o que eu sentia pelo Rivelino, que apesar do nome, era o menino mais lindo do condomínio e eu me pegava de walkman escutando músicas que me faziam tentar sofrer (fase em que eu enfiava o dedo no olho pra chorar de amor, como sofriam nas novelas). Dizia eu te amo ao primeiro que me desse uma Ação Games ou um gibi da Turma da Mônica. Olhava estranho para meus amigos aos 11 anos, quando comecei a sentir a puberdade chegar. Rafael, Rodrigo, Edgard, Augusto, Júnior, Daniel, Celso, Wallace, Júlio, Leandro, Cristiano, Pedrinho, Bruno, eles que nem lembram de mim atualmente. Jurava que o Bruno era o cara, mas trocava um beijo por uma volta de bicicleta, namoro ainda não era minha prioridade.
E aí, já estava naquela turma de 5ª a 8ª, a galera que mandava no colégio. Me pego louca de amor platônico. Me pego maluca por alguém que nem sabia da minha existência. Me refugiava nos ídolos, nunca recortei tanta revista na vida como nesta época. Me refugiava no chocolate, nunca comi tanto como nesta fase. E uma, duas, três, pessoas passaram. Passaram sensações esquisitas, passaram vivências, experiências. Passaram tantas coisas e ainda me perguntava afinal de contas o que é a porra do amor? Ouvia ‘eu te amo’ e não sabia exatamente o que aquilo significava.
Talvez eu nunca consiga definir exatamente o que é o amor. É inútil tentar descrever sensações, sentimentos… o amor é indefinível… mas de uma coisa eu tenho certeza… se hoje, eu fosse obrigada a responder… diria que tentei em vão responder isso durante muito tempo na minha vida. Na realidade não sou eu quem responde, eu só pergunto. A vida me responde e me define. A vida tem me respondido nos últimos 13 meses que o amor de verdade é capaz de se preservar por 10 anos, por si só. Que o amor tem som, tem cheiro, tem amor próprio e amor ao próximo. Que amor tem vida própria. Que amor é mais do que palavras. Um amor onde tudo flui muito naturalmente palavras, declarações, beijos, programações, diversão, sexo. Tudo!
E o tempo que eu buscava esta resposta? Foi tempo perdido? Talvez, mas também foi tempo investido… investi naquilo que achava certo e a vida me mostrou outra coisa… e a cada dia que passa a vida me mostra mais e mais o que é certo. Quem é certo. E eu me pego surpresa, achava que já tinha amado.
¯Ouvindo o tempo todo: To say you love me – Simply Red

Publicado em 29/08/2006, em Amor. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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