Stress

stress
No dia 08 de junho de 2000, há quse 6 anos atrás, eu vomitei no computador. Sim, mais um desses vômitos que acabaram virando um Blog. Engraçado… muita coisa não mudou desde lá… como é que são as coisas né? Uma vez pirada… sempre pirada…
“O stress é algo que não pode ser compreendido por aquele que não o vive. Numa de minhas crises exaustivas, precisei trabalhar em minha mente um desenvolvimento paciente anti-corrosivo de sentimentos alheios. Com muita dificuldade consegui transformar minhas mágoas intensas e diárias, em simplórias lágrimas ou até mesmo num dolorido soco na parede, que pode até ser prejudicial se mal feito. Pode parecer irracional de minha parte, contudo, precisei encontrar esta forma de liberar toda a tristeza, a raiva, o ódio do desconhecido, que fica encravado na minha alma, perturbando a mim e aqueles que perto de mim estão.
Cansei de magoar amigos e familiares que tentam me ajudar nestes momentos, é até comum eu me desculpar por estes ataques neuróticos relacionados ao meu dia-dia, sei que nenhum deles tem culpa se perdi o último ônibus, se fui assaltada, se tropeçei de mal jeito, se recebi um troco errado, se fui mal atendida… estas pequenas coisas, que unem-se formando o kit mais completo da recepção de um dia ruim.
Eu sinto muito quando percebo que trato uma das pessoas que de mim gostam, mal educadamente em função de um stress, sinto muito mesmo. Meu espírito, no mesmo instante, se retrai mostrando à mim o quanto sou má, egoísta e infantil nestes momentos. Mas, que posso fazer ? Será que existe uma fórmula que faça com que nossa alma fique alegre e feliz com o simples e essencial fato da existência diária ? Será que algum ser é capaz de não sentir pelo menos uma vez sequer na vida, mesmo sabendo que a natureza não pára, que os pássaros ali estão, cantando, que a grama verde não se cansa de crescer durante este tempo que o indivíduo  perde sentindo-se quente, cansado, furioso  mesmo sem saber o porquê, será que algum ser nesta Terra consegue a façanha de não se stressar com acontecimentos perturbadores diários ? Se realmente ele existir eu gostaria de tomar umas aulas particulares, aprender a ser feliz mesmo com as pequenas desgraças que aborrecem, aprender que não vale a pena ficar remoendo uma situação má  no fundo da alma , quando algo de proveitoso, de bom, de produtivo, poderia estar sendo desenvolvido. Então eu poderia parar de desrespeitar implicitamente meus amigos que só tentam me ajudar.
É, ainda os tenho. Mas por quanto tempo ? Por quanto tempo eu terei ao meu lado pessoas que realmente se importam com meu bem-estar ? Quando chegar momento de não mais tê-los sofrerei mais do que hoje. Saber que indivíduos podem te ajudar e querem, é estar em segurança plena, querer que eles te ajudem é usufruir deste bem. Hoje eu prefiro não utilizar este recurso, prefiro não preocupar amigos e familiares com meus probleminhas infantis e sem fundamentos. O problema é que “preferir” não é sinônimo de “conseguir”. Mesmo tentando camuflar minhas preocupações diárias, minhas neuroses silenciosas e emburradas refletidas no meu semblante, eu não consigo deixar de atingir pelo menos duas pessoas com balas de palavras ruins e odiosas. Começo a achar que este é um problema mental, que tenho acessos de preocupações com o relevante, acho que minhas preocupações são muito intensas, e me preocupo com isso, me preocupo também em tentar encontrar uma solução para este meu problema de me preocupar intensamente com as coisas mais simplórias da vida cotidiana.
Algumas responsabilidades tornam-se obrigações em minha cabeça. Isso ! Responsabilidade ! Será esta a palavra chave para toda esta minha preocupação em encontrar um motivo para meu stress diário ? Será que tenho verdadeira obsessão   em atingir a perfeita responsabilidade exigida pela atual sociedade ou pelo menos a exigida pela minha família ? Será que com este meu defeito produtivo (produtivo?) acabo assustando aqueles que consideram a responsabilidade uma opção de vida que ocorre em distintos momentos  ? Será que até de minhas atitudes cotidianas eu consigo tirar algo de obrigatório, de regrado, de forçado ? Será que eu transformei minha vida numa rotina sistemática sem elevações ou declives ? Mas se não houvessem os declives e as elevações eu não sentiria sensações tais como tristeza ou alegria. Mas e se eu só sentir estes tipos de sensações devido à falhas no meu sistema de desenvolvimento de ações impulsivas ? Que tende a levar tudo para um divergente caminho de vida, porém que é interrompido ao avançar um pouco, pelos vigilantes da rotina- responsável de uma mente doentia e neurótica.
Será que é comum uma jovem recusar certas atividades por motivos tais como: “Vai passar de minha hora de dormir.” ou “Mas eu nunca visitei este lugar antes” ou “Só vão pessoas desconhecidas” ? E quando me refiro à certas atividades, estas estão relacionadas com atividades que, nada mais nada menos, todos os amigos da jovem curtem alegremente, ou seja, festas. Porém, quando o convite feito, relaciona-se aos, denominados pela minha mãe de, “Passeios Bundões”, o pensamento muda, o convite se encaixa ao viver da jovem. Compromissos como passeios em praças, em pontos turísticos (da própria cidade mesmo), voltas de bicicleta pelo trânsito caótico, passeios de ônibus (sina de pobre, diz minha mãe), cinemas em estréias, com aquela multidão falante e eufórica, passeios à pé, convites à livrarias, bibliotecas, lojas de brinquedos ! Será que sou normal ? Acho que sou. Sempre que me encontro nestes lugares não estou sozinha. Resta saber se um dia pararei de ter estes meus tipos de diversão em plena solidão. Será que encontrarei alguém que seguirá os mesmos desejos de divertir-se que eu ? Será que este ser irá fazer com que meu stress desapareça por saber divertir-me deixando-me viver ? Peço à Deus que ele apareça logo.
Estou sentindo muita falta de alguém que consiga me divertir, que consiga voltar minha cabeça para uma realidade que não seja esta que estou presa por uma grande corrente de responsabilidade, seria bom mesmo se aparecesse alguém que, como um bobo da corte (como sou para alguns amigos) me tirasse deste mundo e me levasse de volta ao reino da alegria, reino do qual eu saí desde que comecei a perceber que somente de mim dependo eu para produzir minha felicidade. Pode parecer até prepotência mas é a mais pura verdade. É incrível como consigo divertir muitas pessoas, chega até a ser impressionante, eu com minhas piadas fazendo pessoas até lagrimarem de tanto rir. Mas neste momento, quem está se divertindo não sou eu, pelo contrário, cada vez que consigo arrancar um sorriso de alguém sinto uma profunda inveja por este sorriso não está na minha boca. Estou começando a chegar numa conclusão não muito feliz. Começo a achar que a melhor companhia para mim sou eu mesma. Não quero acreditar nisso. Começo a sentir uma profunda tristeza só de pensar que a melhor maneira de eu viver bem seria com alguém como eu ao meu lado. Não uma espécie de alma gêmea, não, eu mesma, eu como pessoa, como mulher, como amiga, como amante, como humorista, como artista, como intelectual. Acho que meu amor por mim vai além do normal.”
Doidice…
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Publicado em 27/05/2006, em Desabafos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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