Rainha das Galinhas?

 

Penas, muitas penas… penas de pavão, artificiais… pena daquelas pobres moças que carregavam quilos e quilos de alegorias nas costas. Pena delas quando o desequilíbrio reinava. Reino de fantasia utópica, certeza de pagação de mico. Rainha das Rainhas? Rainha de Ouro? De Copas? Ou mais pra um palhaço bobo da corte Coringa?

Pois é, ontem, madrugada de sexta-feira, assisti ao mais famoso concurso de fantasias carnavalescas paraense. O Rainha das Rainhas existe desde 1946, a história é tradicional e muitas garotas já exibiram sua beleza e se lançaram ali, naquele concurso de passarela… mas… até que ponto o belo é belo?

Exuberantes combinações de lantejoulas, purpurinas, brilhantes, pelugens, pedrarias… compõem a fantasia das modelos. Soube ontem que o peso varia entre 10 e 40kg, é como se desfilassem com meu irmão Davi durante 4 minutos pendurado no ombro. Isso esbanjando sorrisos e gracejos, fazendo dancinhas e coreografias condizente com a temática escolhida. Ok, até aí, suportável. Mas, culpa dos estilistas – ou do acaso – toda edição do desfile acaba em, pelo menos, um desastre.

Tropeção, queda, desmaio, desespero, vaias, até fogo já atiaram em uma das pobrezinhas. Os clubes levam torcedores e a disputa acirrada acaba emitindo tipos variados de urucubacas. "Vai cair, vai cair… ih… caiu". É quase impossível não segurar sonoras e clamorosas gargalhadas. Depois dos milhões de ha-ha-ha’s e já enxugando o lacrimejar do rosto é que bate o peso na consciência… "tadinha…".

Imagina só a encarnação dos amigos que torciam ligados na transmissão regional pela TV? A vibração dos inimigos. Insegurança das concorrentes. Decepção dos responsáveis, de alguma forma, pela fantasia. É, conheço turmas que se reúnem ao redor da TV com uma tina gigante de pipoca e línguas afiadas só aguardando o circo se armar.

– Olha a fantasia dessa!
– Huahua que buchão é esse? Rainha dos Reis Momos?
– Quanta expressão, ei, que sorriso é esse? É impressão minha ou falta um dente?

Brincadeiras à parte – e buscando simpatia do íntimo – o concurso é bonito. Sem ironias ou sarcasmos, as escolhidas se esforçam. Mesmo no limiar do ridículo elas vencem. Vencem a inexperiência nas passarelas, a timidez, a platéia, vencem as "sem-noçãozices" de alguns estilistas, vencem o mico.

Tenho uma tia que concorreu ao Rainha das Rainhas pelo Clube dos Dentistas há tempos atrás. Minha avó contava que a família toda apoiou e a torcida era grande. Mas não ganhou nada, nenhuma posição importante, nenhuma queda (que também faz a fama). Uma colega do colégio também participou, aguardei ansiosa pelo seu desfile, "ihhh… caiu".

Rainha das Galinhas, cheias de penas ou não, as vencedoras cacarejam felizes nos carros novos que ganham, além disso, oportunidades em concursos de beleza e eventos sociais surgem aos milhares como ovos de ouro. Depois, reencontram as Turmas do Quebranto e bicam dolorosamente na cabeça deles, esbajando seu sucesso… Parabéns e um Co-co-ri-co risonho à todas as concorrentes do Rainha das Rainhas 2006.

Publicado em 18/02/2006, em Eventos. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

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