Cinema Olímpia, o último dia.

Desde 1911 – segundo a matéria que acabei de assistir em O Liberal – existe o cinema Olímpia. Hoje é seu último dia de funcionamento. Isso está provocando furor nos cinéfilos de plantão paraenses, além dos blá-blá-blás sobre o cinema mais antigo em funcionamento do Brasil – o que mais vem sendo batido e (lógico) não deixa de ter grande importância – é preciso levar em consideração uma coisa… mais do que uma sala de projeção, o espaço transpira a 7ª arte e particularmente sinto um aperto estranho e tristeza conformada.

 
Ok, sejamos realistas. É um cinema lindo mas a localização não é de toda privilegiada, estacionar é um risco, sair das seções norturnas é suicídio. Isso aconteceu porque aquela movimentação antiga se transportou para outros locais. É preciso levar em consideração (também) o comércio de DVD’s, TV à cabo, downloads virtuais, preço dos ingressos, dentre outras justificativas para que o público do cinema se reduzisse… talvez tenha sido por falta de público que o Cinema Palácio também tenha fechado há um tempo atrás, dando espaço para uma Universal do Reino de Deus, que sacrilégio (longe de preconceito). A tendência é o mesmo acontecer com nossos Nazaré 1 e 2, Cine 1, 2 e 3, eles estão perdendo espaço para a comodidade dos Moviecom’s da vida. Talvez o único a resistir seja o Ópera, este daí parece ser guerreiro e tem seu público-alvo condizente com a localização (longe do preconceito – também – rs).
 
Visitando o blog da Profª. Ana pude ler seu depoimento sobre este dia triste. Ao comentar, me inspirei e ao invés de tecer um esboço de opinião acabei deixando uma dissertação para a pobre coitada. É que apesar de não ter ido tanto quanto eu gostaria ao Olímpia, eu tenho registros na memórias importantíssimos daquele local.
 
Quem participou da estréia de Titanic pode dizer a loucura que estava aquele cinema. E as saudosas seções não-evacuadas? Eu praticamente morava ali, em Alladin então… aliás, em geral, os filmes da Disney me provocaram muitas emoções naquelas poltronas. Namoricos escondidos naquele mundo gigante de cinema, dava para aprontar horrores (rs). E o meu hobby era comprar todas as guloseimas possíveis nas Lojas Americanas (ao lado) e me entupir com a galera lá dentro. Quanta saudade. Aqueles que realmente me conhecem sabem o quanto sou apaixonada por cinema, mesmo que de maneira amadora. Lá em casa guardo com orgulho meus Ticket’s de entrada, é certeza eu associar cada um a uma história (além da exibida pelo filme), lembrança da galera, do namorico, da briga, da paixão, da sacanagem, da chupadinha… ah não, no Ópera não dão ticket’s (rs).
 
Puxa, agora vão fechar o Olímpia! Recebi um e-mail de um amigo fazendo o convite transcrito a seguir. Me empolguei e me entristeci. O mais engraçado é que essa sensação de perda está acontecendo com muitos dos meus amigos, mas quando perguntam: "tu ias lá?" geralmente dizem "não…" (…).
 
Já basta de perder lugares bons em Belém. Cadê novos que não chegam? Me refiro à cultura… lógico. Espero que os cinemas do shopping não sofram com a falta de público e investimento também… já foi doloroso ter perdido o Cine Doca Boulevard.
 
Ei! Eureka! Vou abrir um cinema… um Drive-in na realidade, mas não como esses que têm por aqui… com box e tudo também mas com uma tela gigante de projeção, serviço de pipoqueira, guloseimas e cia. Tenho certeza absoluta que público não vai faltar (rs). Vamos investir nessa idéia?
 


Quinta feira, *16 de fevereiro* de 2006, às *20 horas e 40* minutos, morre uma parte da história do cinema brasileiro. Na sala mais antiga em atividade no país, as cortinas se fecham, talvez para sempre.
 
O Olímpia é fruto de uma época de riqueza em Belém, onde os lustres eram de cristal e o terno-e-chapéu, a vestimenta por excelência.
 
Por isso, convocamos todos para uma *despedida* à altura, que relembre essa época áurea. Queremos estar todos lá, para ver Syriana <http://br.movies.yahoo.com/filme/13145>, grande filme que pode dar a *George Clooney* o Oscar de ator coajuvante.
 
Daremos o último adeus com a mesma intensidade das antigas premières, vestindo-se a caráter: *terno e gravata* para os cavalheiros, *vestidos de festa *para as damas.
Vale improvisar, mas leve a atmosfera da época. Faremos do que seria uma triste despedida, um happening nostálgico digno do grande Olímpia.
 
*Atenção:* a idéia pode parecer maluca mas é pra valer. Todo mundo tirando seus longos e blazers do armário! Mesmo quem não pode ir, por favor repasse a mensagem aos seus amigos cinéfilos que morem em Belém. Vai ser uma noite inesquecível.
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Publicado em 16/02/2006, em Cinema & TV. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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