When You Wish Upon a Star…

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Disneylândia, julho de 1998. Foi pra lá que minhas recordações voaram hoje. Quando será que eu vou ter a oportunidade de fazer outra viagem como essa? Será que ainda existirá essa possibilidade? Com o preço do dólar e os tempos de vacas raquíticas anorexas fica “um pouco” difícil programar alguma coisa. Viajar por aqui já é meio complicado, E.U.A então, só na memória e nas 13098394578 fotografias que trouxemos.

Foi uma viagem dessas de 15 anos, por uma excursão cheia de jovens bobões. A boboca-mor aqui estava com a mãe, sim, minha mãezinha estava ganhando o seu presente de 15 anos também, com um pequeno atraso… 19 anos depois. É! A grande história é que com 34 anos a minha mãe era a mais-mais da excursão. Sim! A mais bonita, mais descolada, mais animada, mais encantadora… não custou muito e todos já estavam grudadinhos na gente… claro, isso não tem nada a ver com o cartão dela American Express ou com o fato de que para entrar em danceterias era preciso estar com alguém de maior que não fosse a guia… (rs).

Logo passaram a chamar por “Minnie”, sim, ela comprou uma travessa de cabeça com duas orelhonas e não tirava por nada… ai, esse pessoal pobre que se mete em coisa de rico é foda. Pois é, éramos os típicos turistas retardados metidos a emergentes. Vivíamos pedurados de coisas, máquina fotográfica, pochete, boné… comprávamos tudo que dava na telha, a mamãe se empolgava até com efeites de vitrine e queria comprar… maior sacrifício pro cara explicar in english que aquela flor que cantava e se mexia não estava à venda, era artigo decorativo hahaha… consumo, muito consumo… até daquilo que sabíamos que nunca mais ia ter utilidade na vida… estávamos nos dando o luxo. Só conseguimos ir porquê com o falecimento da vovó surgiu um gordo seguro, responsável pela reforma da casa e por esse presentão para a gente… então… quando pensávamos se compraríamos ou não aquele Mickey, Pateta, Minnie e Pluto gigantes a gente se olhava e dizia: “Ei mãe, quando é que a gente vai voltar aqui? Nunca mais, né? Bora aproveitar”, e ela “É sim né filha, então vou gastar mais uma das parcelas do teu colégio… quando voltar dou um jeito de negociar… me dá aqui esses Traveler’s Checks” hahahaha, a mamãe é tuuuudo.

Lembro de todas as sensações. Do aeroporto aqui em Belém até a chegada em Orlando. Foi tudo devidamente registrado em Diário de Viagem. Com direito à anexos e tudo. É, eu sou meio paranóica com lembrancinhas significativas, guardo tudo. A mamãe diz que eu sou trequeira, mas eu gosto de preservar sim! Então, saquinho de amendoim do avião, palito do picolé do Mickey do Magic Kingdom, tickets de entrada, saquinho com palito de dente do restaurante de Miami, notas fiscais, mapas de parques… etc, etc, etc. Sim, está tudo guardado na minha caixa de memórias.

Quando eu cheguei minha impressão era a de adentrar um livro de conto de fadas… na realidade, adentrava uma daqueles clip’s nas introduções das minhas fitas VHS’s da Disney que eu colecionava “Conheça o Mundo Disney”. Sim, e lembra dos panfletos que vinham dentro delas detalhando cada parque? Pois é, era tudo milhões de vezes mais mágico. Fui criada por um fanatismo disneymaníaco absurdo de minha mãe. Ela também sonhava em conhecer esse recanto de magia, tudo que se referia à Disney nós procurávamos conhecer, filmes, desenhos, gibis, pelúcias, miniaturas, revistas… a expectativa era muito grande. Engraçado, algumas amigas que fizeram a viagem não conseguiram entender o porquê de estarmos tão felizes e realizadas, essas aí não sonhavam com aquela realidade, nem devem ter curtido 1/3 do que curtimos. E daí se corríamos desesperadas atrás do Tico & Teco, do Tigrão, Pateta, Margarida… pra bater fotografias? Walt Disney World! Era “agora ou nunca”!

Muitas visitas à vilas e parques temáticos… Universal Studios, Epcot, Magic Kingdom, Animal Kingdow, Wet’n Wild, Downtown Disney, MGM Studios, Sea World… cada lugar era uma camiseta que eu comprava e elas ainda estão todas guardadinhas! Terror on Church Street, o melhor trem fantasma que eu já visitei! Até porque o trem era, na realidade, fila indiana de um mundo de jovens assustados que fugiam dos mais famosos parsonagens de Horror! É! Até um pouco de Poltergeist vivemos! Depois saímos desesperadas correndo do cara de O Massacre da Serra Elétrica e nos deparamos com uma puta fila que estava assistindo todas as nossas cenas de espanto pelos monitores que registravam tudo através das câmeras escondidas! Pouca vergonha! Hahahah… era tanta adrenalina que esquecemos até do ombro do meu amigo que tava sangrando porque uma doida caiu de dente, do salto do sapato que quebrou, da alça da blusa que arrebentaram de outra colega, da gola da minha camisa toda esticada de tanto puxarem e das porradas e pisões que peguei nos momentos de correria… égua… pouca tragédia! Toys R Us, a maior loja de brinquedos que eu já visitei, pense numa pessoa que não conseguia falar… aliás, nem conseguia respirar! Minha cara de espanto, surpresa e desespero p/ explorar o local deixou a mamãe preocupada “Filha, por que tá calada? Estás bem?”, caramba, e eu que sou ABSURDAMENTE tarada por brinquedos! Virgin, a maior loja de Cd’s que eu já visitei, caramba! Planet Hollywood, Hard Rock Cafe, Miami Beach, Sawgrass Mills… era muita magia! Eu juro, cada segundo era vivido com uma intensidade de uma vida, sem exagero.  

“When You Wish Upon a Star”, trilha sonora do Pinóquio, era a música que tocava enquanto a parada noturna passava pela gente no Magic Kindom. Um desfile de carros iluminados, bailarinos, personagens e muitos fogos. Quando olho pro lado, a mamãe chorava… “Filha, é tudo tão lindo! Eu tô na Disney filha, na Disney!”. Só quem conhece a realidade da trajetória de vida da minha família pode entender a emoção. Emoção esta que eu desejaria de coração viver um dia novamente com meu irmão, quem sabe daqui há 10 anos, nos 15 aninhos dele? Não custa nada sonhar, vou olhar com mais cuidado para o céu, de repente… uma estrelinha vem ao meu encontro… vira uma fadinha… e… pode ser que…

“When you wish upon a star, makes no difference who you are
Anything your heart desires will come to you

If your heart is in your dreams, no request is too extreme
When you wish upon a star as dreamers do

(Fate is kind, she brings to those who love
The sweet fulfillment of their secret longing)

Like a bolt out of the blue, fate steps in and sees you thru
When you wish upon a star, your dreams come true”

(Theme of Pinocchio Writer: Leigh Harline; Lyrics: Ned Washington)

Publicado em 11/02/2006, em Viagens. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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