Discorrendo sobre o amor consciente da ignorância…

 

 
Tá, tá, eu sei, não tenho lá essas experiências absurdas. Mas sabe… eu procuro conceituar a essência de todas as minhas vivências. Sabe o que acontece com isso? Elas passam a ser mais do que simples acontecimentos, é, passam a ter significados. Buscar extrair as coisas boas e ruins de todas as atitudes nos faz crescer um pouquinho, isso me faz ser mais esclarecida.
 
Sentir que tudo muda, que tudo pode mudar, que nada parece mudar, que nada muda. Será que a tendência é sempre essa? Sentir uma dessas coisas?
 
Ainda a pouco arrumava minha escrivaninha e encontrei tanta coisa perdida. Tickets de cinema, ingressos de shows, cartinhas e cartões, fotografias… e umas anotações… o mais engraçado era a data, 05/02/2005, exatamente há 1 ano atrás. Coincidência ou nãoesses pedaços de papel-rascunho cheios de garranchos desorganizados me fizeram relembrar e repensar coisas. Foi num dia de Terapia Depressiva Musical que meu amigo Abrão e eu resolvemos criar tópicos, cada um, sobre nossas frustrações amorosas. No sonzinho rolava uma coleção que criei chamada Love Song’s composta de 3 cd’s com mais de 300 mp3’s. Cada um com papel e caneta e "Já, valendo, só vale escrever tristeza, nada de auto-consolo hein…".
 
Reli, refleti, ri e me surpreendi.
 
Digamos que eu esteja numa fase onde tudo parece ter mudado. O que anda acontecendo comigo? É simples. Renovação. Sinto que tenho vivido mais do que em qualquer outra fase da minha vida, de uma forma mais proveitosa. Sinto que tenho me divertido mais, que tenho me superado mais, conversado mais, aprendido mais, amado mais. Ao mesmo tempo sei que isso vai acontecer novamente, é, é a lei da natureza, senão a vida se torna um marasmo baseado no passado… isso não seria nem um pouco saudável.
 
É, sinto que meu amor pelas pessoas mudou. Não é simples e puro amor, ingênuo e "por consideração". Não. Eu cansei deste amor. Amor para mim agora é amar e ser amado. Continua sublime, mas muito mais maduro. Me refiro ao amor de amigo, de amiga. Amor gostoso de sentir.
 
Antes eu acreditava que poderia amar todas as pessoas, independente de tudo que tenhamos passado ou vivido. Acreditava que poderia amar e perdoar meu inimigos, pessoas que me fizeram mal. Berrava nos meus próprios ouvidos que este era o maior sinal de Amor, amar sem ter o devido porquê. Esse amor cansa, se desgasta. Não digo que a moral desta essência tenha morrido, não, pelo contrário, continuo acreditando neste sentimento bonito de perdão e superação. Mas não sou tão evoluída assim. Me recolho à minha insignificância e prefiro amar o que me faz bem.
 
Já fiz muita coisa errada, me puni bastante. Já fiz muita coisa certa e faço questão de me gabar pelos feitos. A questão é,  já amei errado. Sim, existe uma forma correta de amar. Pelo menos é o que tenho aprendido a cada dia que passa. Cada um tem a sua. Cada um descobre o amor correto, aquele que lhe faz bem, independente dos pequenos contratempos. É nessa hora que a gente solta um "agora sim, o que eu sinto é realmente Amor".
 
Acho que acabei de descobrir uma das leis da vida que muita gente não consegue entender… o amor por si se supera. É, acho que todos se tornam inequecíveis, mas acabam caindo no esquecimento num gostoso paradoxo. Achar que nunca mais vai amar daquele jeito está correto… o tempo mostra que você vai amar muito mais!
 
Isso vale para terceiros. Sim, porque existe também o amor pleno, independente de tamanho ou intensidade. O amor, simples por ele mesmo. Amor de mãe, por exemplo. Esse não se aplica aqui.
 
O mais irônico é que a coleção Love Song’s foi crivada e resultou num Cd de mais ou menos 150 mp3’s chamado "Fantastic" e é ele que me embala nesta nova fase. Ironia ou não, é isso. A gente sempre acha que aquilo – bom ou ruim – é para sempre, mas o "para sempre" é mais breve e tão falível quanto o "nunca". Por isso aprendi, digeri e absorvi: o melhor é viver o hoje como se fosse o último momento de todos… engraçado… acho que já "escutei" isso em algum lugar… mas ainda não tinha realmente "ouvido".
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Publicado em 05/02/2006, em Amor. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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