A história da minha borboleta

 

Queria compartilhar a história da minha borboleta. Não é muito diferente das outras borboletas que se falam por aí. Uma gama variada de textos tece paralelos com a história da lagarta, mas esta é a história do meu jardim, nele vi de perto a natureza mudando, não só uma, mas duas vidas.

Eu bem me lembro da tarde em que resolvi passear pelo bosque. Lá estava ela, era só uma larva quando bati os olhos. Rastejava-se preguiçosa pela terra com movimentos lentos e pouca disposição. Carreguei-a do chão e resolvi leva-la para meu jardim, ali poderia cuidar melhor e alimentar de uma forma mais saudável.

Flores, plantas e poucos outros insetos habitavam aquele metro quadrado de terra. Preparei o ambiente para a chegada da larvinha. E eis que ela confortavelmente se habituou a viver no meu jardim. Comia pequenas folhas que encontrava e durante 4 anos foi minha companheira de aventuras. A levava para passeios, para respirar, viver a natureza. Mas depois, tinha que voltar pro meu jardim, onde encontrava as melhores e mais verdes folhinhas. E aí ela foi crescendo, crescendo, crescendo até que transformou numa bela e robusta lagarta.

O que eu não percebia é que à medida que ia crescendo, ia tecendo fios de seda. Um por um ela foi tecendo, e, sob minha rigorosa vista, ela ia se envolvendo cada vez mais numa espécie de casulo. Eu não entendia aquilo tudo, minha experiência com insetos e/ou animais era bem limitada.

Num dia nublado eu vi. Lá estava minha lagarta envolta num embrulho esbranquiçado e mais parecia uma folha seca dependurada no galho de uma planta. Eu não entendia direito, ela teria sido capturada por uma teia de aranha? Mesmo sem entender, procurei cuidar da minha lagarta que agora vivia excluída num túmulo feito por si para se isolar do meu jardim.

Pouco a pouco fui percebendo que algo estava rompendo aquele invólucro, de lá estava saindo algo. Eu me iludia achando que era minha boa e velha lagarta, não demorou muito e eu percebi, agora o que saia de lá era uma linda e radiante borboleta.

– Agora a minha lagarta, que era só uma larvinha feiosa, é uma linda borboleta! Presenciei muitos estágios, vivemos muita coisas juntas e nunca vou abandona-la! – Pensava ingenuamente enquanto construía um micro-borboletário, futuro lar da minha borboleta.

O que eu não sabia é que estava ali contrariando uma lei imutável, a lei da natureza. Eu queria impedir a liberdade da minha borboleta. Ela queria buscar néctar… e eu lhe dava em suas bocas. Queria promover a polinização entre as flores na busca por ele… e eu levava as flores até ela. Aquilo tudo foi matando a minha borboleta, ela já não tinha mais vida, não tinha mais cor. Tentara fugir de mim, mas eu não deixei.

Durou pouco tempo desde o rompimento do casulo. Um dia eu me vi diante de uma borboleta murcha, não tive dúvidas. Amava tanto que deixei ela ir. Desde que se transformara em borboleta, já não era a minha lagarta de antes. Já não tinha mais a mesma graça.  Ficou mais bela e mais colorida quando saiu voando das minhas mãos. Ia de flor em flor, misturando suas cores com as delas. Dançava no ar, voava em liberdade rumo ao desconhecido. Fiquei feliz com a felicidade dela.

Eu, a simples dona de um pequeno jardim, voltei a cultivar flores e plantas. De vez em quando me surpreendo quando ela aparece visitando e iluminando meu jardim. Mas a borboleta é do mundo, resolvi nunca mais me envolver com lagartas e hoje, exatamente 5 anos depois, olho para as pobres larvinhas indefesas com outros olhos. Talvez deixe de ser jardineira.

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Publicado em 02/08/2005, em Amor. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Poxa Dani,Lendo esse relato, seja ele real ou fictício fiquei um tanto triste, não exatamente por sentir que eu seja a jardineira, mas sim a borboleta…Sabendo que quando a borboleta é tirada do casulo antes do tempo, esta poderá morrer antes mesmo de usufruir da sua liberdade…Lindo texto! Te amo miga!Um beijo no coração!

  2. Lindo o texto! A história é real mesmo? Seja como for a mensagem que passaste pode ser aplicada a tantas ocasiões! Quando tomamos a liberdade de alguém ou mesmo a nossa própria por amarmos muito. Você sabe das coisas! :)Obrigada pelo comentário que deixou pra mim! Adorei, foi mais que um conselho ou opinião. Já vi que essa coisa de blogar vai ser mesmo uma análise. Eu no divã e você me ouvindo! :)Te adoro amiga! Beijocas!

  3. Oi, Amiga.Nem precisa dizer que sei muito bem a q vc se refere. Nossos cotovelos, pelo visto, têm andado um tanto quanto chamuscados.Isso me lembra a velha história do Pássaro Encantado, mas que vai ficar para uma outra hora.Mas como já dizia meu velho ídolo: "Não há construção sem destruição". Acho que o segredo está em sabermos observar o jardim com mais atenção e, certamente, iremos nos surpreender.Agora, vamos voar e DEIXAR voar!Te Adoro muito!p.s: adorei o comentário que vc deixou no meu spaces.

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