Galera das Galeras

 

Se tem uma coisa que eu não consigo é estar sozinha. A minha mãe conta que desde pequenina eu gostava de estar rodeada de coleguinhas. E isso até hoje, não suporto me sentir abandonada, sozinha, sem companhias, tenho que estar cercada de gente.

 

Lembro que lá pelos 9 anos eu me desdobrava para conciliar três grupos completamente diferentes. Tinha o grupo das meninas que eu andava, desfilava, dançava, brincava de Barbie, adoleta, bambolê, panelinha, costurava roupinhas de boneca, trocava papéis-de-carta e ensaiava as primeiras maquiagens. Daí eu me cansava e ia correr com os meninos, pulava, caia, batia, apanhava, suava brincando de labirinto, polícia-e-ladrão, garrafão, pira-cola, pira-alta, pira-maromba, pira-se-esconde, pira-cola-americana, vídeo-game, corrida de ficha, até a minha Barbie virava namorada dos Comandos em Ação, ela era a maior – literalmente – ploc do quartel. Então me batia uma crise de existência e eu resolvia tomar posturas maduras e ia conversar sobre coisas mais sérias com o grupinho das meninas mais velhas, falávamos de namorados, dúvidas, sexo, eu dava conselhos, escutávamos Bon Jovi e Double You, falávamos de novelas, filmes, atores… eu lá, toda pirralhona, me achando a tal. O legal é que em todos os cantos que eu me metia eu era muito bem-tratada (ou eu não me tocava que tava sendo inconveniente rsrs).

 

O fato é que até hoje isso não mudou, a mamãe diz que são as facções. Até hoje eu me desdobro para me encaixar ao maior número de grupos possíveis. Têm os quietinhos, que preferem almoços discretos à uma noitada. Têm os boêmios que viram madrugadas falando e falando nos bares da vida. Têm as minhas coleguinhas Patys que não dispensam passeios nos Shopping da vida. Têm os Lisos, que se juntam comigo só pra ficar pirangando na noitada com R$ 3,00 no bolso. Os baladeiros que querem tá dançando e agitando por aí só na charlação. Os melancólicos que preferem ficar conversando em casa e assistindo filmizinho. Os jogadores que se reúnem em Playground de prédios para virar a madrugada com Banco Imobiliário, War, baralho, dominó. Tem os azaradores que saem à caça sempre em busca de paquera. Têm os prisioneiros (dos pais ou namoros) que não podem sair de casa quase nunca mas que não dispensam telefone, cartas e Internet. Têm os faladores que querem parar em qualquer canto só pra atualizar as novidades e conversar a noite inteira…

 

São as galeras, várias galeras. Galera daqui, galera dali, galera do trampo, galera da unama, galera da Ufpa, galera do aslan, galera do beverly, galera do ideal, galera do berço, galera do condomínio, galera da teia, galera do gpm, galera do alfaces, galera das cartas, galera da Internet, galera do conjunto, galera dos flog’s e blog’s, galera do boliche, galera do bilhar, galera disso e daquilo, são muitas! Eu não sei o que seria de mim sem elas. Lógico, muitos momentos eu preciso pra mim. Eu e eu e ninguém se mete. Mas, na maior parte do tempo eu quero mesmo é estar acompanhada, e se possível, de MUITA gente!

 

Eu queria ser onipresente, mas não dá. É por isso que um dos meus sonhos de consumo é ter um ônibus. Lá eu vou meter todo mundo misturado e vou levar pra onda, daí essa vai ser a Galera das Galeras.

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Publicado em 27/07/2005, em Recordações. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. long time no see!…1 beijoeasy

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