Entrevista…

Um colega meu – Bernie Walbeny (Criação e Produção Publicitária – FAZ) – pediu para que eu respondesse algumas perguntinhas d eum questionário como entrevista para uma revista independente… eu comecei a refletir sobre coisas interessantes… nunca mais eu tinha pensado em coisas – relativamente – sérias (será que só tem merda na cabeça), doeu, mas já passou:

01 – Faça uma ligeira apresentação curricular.

R: "Daniella Andrade Eguchi, 22 anos, formada em Comunicação Social – Habilitação Publicidade & Propaganda pela Universidade da Amazônia – UNAMA (2000-2003) e finalizando pós-graduação Lato Sensu em Artes Visuais e Semiótica pela UFPa. Atua como arte-finalista em uma empresa de publicidade."

 

02 – O mercado publicitário local é sustentado basicamente pelo varejo e conta com minúscula verba para suas campanhas. Isso dificulta na hora de criá-las ou, ao contrário, serve de estimulo para o profissional ser mais criativo?

R: "Ao meu ver, deveria sim servir de estímulo, mas, infelizmente, na prática eu me sinto limitada. O varejo está limitado, sendo assim, a criatividade também. As tipologias, cores, ângulos fotográficos, etc. praticamente todos os elementos se arrumam em um conjunto corriqueiro, no qual o cliente e determinados públicos, sentem-se confortáveis em termos de receptividade. Geralmente prepara-se mais de uma proposta. A questão é que todo o engenho do profissional vai pra p.q.p. e o escolhido acaba sendo o layout amarelão, com espocado vermelho e fonte Arial Black. Se já é difícil inovar num mercado de mentalidade varejista, imagina num mercado de mentalidade varejista, onde o dono do negócio é altamente clichê e o público acostumado às mesmas mensagens massivas corriqueiras."

 

03 – Além das questões citadas anteriormente, quais são os outros desafios que esse profissional encontra na prática?

R: "Na prática, eu percebo que o profissional criativo de agência acaba sendo visto como uma espécie de: Fazedor Instantâneo de Coisas.  Planejamentos, orçamentos, planilhas, prazos, pontos de mídia comprados… “Tudo pronto? Agora joga pra Criação, eles têm 3 dias pra preparar a campanha, eles conseguem”. Assim, o Diretor de Criação e de Arte, Redator e Artes-finalistas precisam bater o Briefing no peito, driblar a falta de inspiração e levantar legal pro Atendimento que é pra ele fazer o gol. Mas será que é tão simples sentir o produto e criar? “Vai redator, faz uma chamada aí bem criativa”; “Já bolou o layout? Não?”; “Como assim não ta conseguindo pensar?!”. Idéia, criatividade, originalidade demanda inspiração, conhecimento acumulado, pesquisa, entusiasmo. Não é um processo mecânico e frio, se assim for, assim será o resultado."

 

04 – Existe uma "ponte" que liga o ato de criar e o de materializar, essa “ponte" é a produção. Você se sente limitada por isso? Ou dá pra sobreviver?

R: "Eu trabalho mais com Meios Impressos, os limites são menores. Entretanto, com relação aos Meios Eletrônicos que já foram produzidos seguindo minha linha criativa eu faço questão de acompanhar a Produção, para assim deixar o mais fiel possível do imaginado, logicamente que dentro daquele freio que se chama verba. Disso não se pode fugir. Helicópteros? Explosões? 200 figurantes? Relaxa e não viaja que tu sobrevives."

 

05 – Quando você saiu da faculdade, encontrou muita diferença entre a teoria e a prática?

R: "Sim, há muitas. A maior diferença que detectei é que o estudante não está acostumado a lidar seriamente com prazos, considero uma das coisas mais importantes. Repassa responsabilidade, credibilidade, compromisso e competência."

 

06 – Dê uma dica para as pessoas que estão se preparando para entrar nesse mercado.

R: "Nada melhor do que estar sempre em contato com a profissão. Participar de oficinas, cursos, estágios, congressos, etc. Estar em contato com livros, revistas, TV, sítios, anuários. Ficar ligado nas peças publicitárias paraenses, fazer releituras. Principalmente, ter o interesse em buscar nos mais experientes as vivências, bem como procurar definir uma área de atuação principal, não esquecendo que as demais já não são só complementares – não adianta ser um redator que não mexa no Corel ou um designer que não escreva bem – viva ao profissional multifuncional."

 

Ai! Adoro a minha área!
Visto a camisa!

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Publicado em 30/03/2005, em Comportamento. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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