O quebra-cabeça do amor

500, 750, 1000, 1500, 2500, 5000 peças. Não importa a quantidade. Quanto mais peças, maior o desafio… conseqüentemente, maior a conquista. Pra quem cresceu montando quebra-cabeças, como eu, entende que a partir do momento em que corta-se o saquinho até a colocação da última peça é todo um processo organizado.

Eu começava desvirando as peças… é o início de tudo. Daí ia arrumando em blocos de semelhanças – essa parte do mar pra cá, cidade iluminada pra lá, cidade escura aqui, céu azul-marinho pra lá, com nuvens pra cá, floresta aqui… etc – começar a montar a partir dos blocos, para só depois reuní-los e atingir o grande objetivo: montar a gravura da caixa - óbvio, não é mesmo? Mas, por que milhões foram assistir Titanic no cinema, mesmo sabendo que o navio afundaria? O bom e velho complexo ser humano, sempre venerando o "durante", o "desenrolar". O reflexo? Audiências para making-off, tutoriais passo-a-passo, bastidores, antes e depois, etc.

Mas voltando ao quebra-cabeça… numa noite bonita, de céu estrelado expliquei o quebra-cabeça do amor. Mostrei que ainda estávamos revirando as peças, ainda tem muito raciocínio pela frente. Expliquei os estágios… A empolgação inicial, separando tudo com uma disposição infinita. Expliquei que depois de separados os blocos de semelhança, seria preciso ajustá-los no montante – 1ª dificuldade, para depois ajustá-los entre si – 2ª dificuldade. Expliquei o tédio posterior… a indisposição… desestímulo diante das dificuldades e a vontade de jogar as peças pro alto e simplesmente parar de montar. Expliquei que mesmo montado quase todo o quebra-cabeça, ainda sim restará uma parte complicada – geralmente o céu – demorada e difícil, é a etapa da prova final, o teste do limite, se passar, ganha o jogo e completa a gravura.

Este desenrolar é demorado, requer paciência e disposição. Tem coisa melhor do que montar um quebra-cabeça acompanhado? Pois então. O paralelo é este, com um diferencial. Quando eu terminar de montar meu quebra-cabeça do amor, não separarei as pecinhas depois, mas as colarei, emoldurarei e pendurarei no meu quarto, pra eu contemplar a gravura pro resto da vida.

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Publicado em 02/05/2005, em Amor. Adicione o link aos favoritos. 1 Comentário.

  1. Sua comparação foi perfeita!E sobre isso, às vezes, deixamos de desfrutar do desenrolar e nos prendemos à ansiedade do resultado… não enxergamos o quanto é gostosa cada conquista, cada troca, a expectativa!Bjs

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